Refúgio para animais silvestres

Publicado no Tendências - Jornal Laboratório da Faesa - Vitória/ES - em Agosto de 2016, edição nº 100




Texto na íntegra:


Refúgio para animais silvestres

Com seis anos de atuação, o Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS) transparece dedicação e seriedade em cada procedimento realizado

  Um gambá grande doente, um gambá filhote, dez pássaros machucados, uma arara adulta prejudicada, um sagui bravo que tentou fugir, uma jiboia exótica da Amazônia que está presa no Estado e dois jabutis. Esses são alguns dos animais silvestres que recebem tratamento no CETAS.

  O CETAS  é um empreendimento autorizado pelo Ibama que tem por finalidade receber, avaliar, recuperar, reabilitar e destinar animais silvestres capturados nas ações de fiscalização, resgates ou entrega voluntária. A unidade no Estado teve origem em 2010 e se localiza em Barcelona, na Serra. Hoje, aproximadamente dez pessoas atuam na organização e por semana são atendidos 30 animais no local. Os mais frequentes são as aves, os gambás e os saguis.




  A tratadora de animais  do CETAS Elaine Cruz ressalta que o ideal seria não existir a organização, mas que a população fosse conscientizada de que os animais são da natureza e, portanto, devem permanecer no habitat natural. Porém, ela evidencia que se não existisse, a chance desses animais voltarem para a natureza seria nula. “Quando recebemos animais ameaçados de extinção, o CETAS oferece o primeiro suporte. É uma oportunidade para a espécie não desaparecer”, afirma.

Resgate

  O resgate desses animais é feito pelas fiscalizações da Polícia Ambiental e pelo Ibama. A soldado Clarissa Adão, auxiliar da seção de comunicação do Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA), explica que após receber uma denúncia, sobre animal silvestre em cativeiro, uma equipe do BPMA vai até o local e verifica se o proprietário está inscrito no Ibama para criação e se o animal foi adquirido de forma legal. Constatada irregularidades, é registrado um boletim de ocorrência com os fatos e, depois, o animal é conduzido aos centros de triagem e reintrodução de animais silvestres na natureza.

  Elaine explica ainda que quando o animal chega no CETAS, ela e o veterinário analisam o tratamento mais adequado para permanecem sob cuidado até se recuperarem. Em seguida, são soltos ou conduzidos para o Centro de Reintrodução de Animais Selvagens (CEREIAS) onde serão reabilitados e libertos. Os animais chegam nas casas das pessoas ou porque estão doentes e precisam ficar em um lugar tranquilo, uma vez que na floresta existe uma competição grande. Ou o habitat do animal foi desmatado e, ele, sem saber para onde ir, vai para uma casa perto da região.

  Elaine comenta que depois da reabilitação os animais não conseguem se reintegrar facilmente no habitat natural, principalmente as aves. Depois do tratamento no CETAS, o animal é levado para o CEREIAS e bastante tempo é dedicado para uma soltura de qualidade. O esforço de trabalho da equipe de tratadores é intenso. Quando os animais não conseguem voltar para a natureza são usados para fins de educação ambiental: em palestras nas escolas ou nos treinamentos.

Abandono

  A tratadora Elaine conta que cuida de um gambá adulto que foi entregue com uma carta, pela qual uma pessoa diz ter encontrado o animal no quintal quando era filhote. Mas ele foi criado de maneira errada porque está com deficiência nutricional, o que é visível pois não consegue ficar em pé. “Às vezes as pessoas não sabem que esses animais têm uma dieta específica. Acham o filhote bonito, só que não fazem ideia de que é silvestre. Leva para casa e no momento que cresce, vê que dá trabalho”, completa.
  
   Já a jiboia é exótica e só pode ser liberta no habitat de origem, a Amazônia. Contudo, como o processo é lento e burocrático, até a devida soltura ela é usada pelo Ibama para treinamento de pessoas, sobre como resgatar o animal e como contê-lo. Como a cobra vive tranquilamente em cativeiro, é fácil manter o animal. Aves com asa amputada também são utilizadas para o mesmo fim.

Crime

Desde que a caça profissional foi proibida no Brasil, a captura de animais da fauna silvestre é considerada crime de acordo com o Artigo 29, da Lei Federal 9.605 de 1998, com pena prevista de detenção de seis meses a um ano, além de multa


Alerta para a população: se você encontrar uma animal silvestre, qualquer que seja, é preciso ligar para a polícia ambiental, através dos telefones 181 ou 190, ou para o Ibama (27) 3089-1151Caso as pessoas queiram ligar diretamente para o CETAS, o telefone é (27) 3241-8374, e o endereço é endereço rua Dourados, bairro Barcelona, Serra – ES.


Galeria de fotos:





Comentários

  1. Lugares como esse fazem falta! Deviam existir mais centros pra atender esses bichinhos, já que os veterinários normalmente não sabem orientar quando alguém encontra um.
    Pra mim seria um sonho trabalhar num lugar desse. s2
    Beijo

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    Respostas
    1. Fazem falta sim, e muita!
      Seria um sonho para mim também <3
      Beeeijos!

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