Variações Linguísticas do Brasil

domingo, junho 26, 2016

Publicado no Tendências - Jornal Laboratório da Faesa - Vitória/ES - em Junho de 2016, edição nº 99



Texto abaixo:


Variações Linguísticas do Brasil

  Variações linguísticas regionais, também conhecidas como regionalismo, são palavras e/ou expressões que mudam de região para região. O Brasil possui diversos Estados e em cada um deles existem expressões únicas. A grande maioria ocorre no vocabulário. Assim, um mesmo objeto pode ser nomeado por palavras diferentes. Como a raiz mandioca, denominada de macaxeira, no nordeste, e aipim, no sudeste.

  Segundo o artigo científico “Variação e Mudança Linguística”, escrito pela professora e pesquisadora Ana Cristina Biondo, pela extensão geográfica do Brasil, é de se imaginar que coexistam diferentes dialetos regionais: o falar carioca é claramente diferente do falar gaúcho ou paulista, ou do nordestino. Comprovando assim, que, de fato, a língua brasileira não é composta por blocos homogêneos e que todas as regiões apresentam diversidades na linguagem.

  “As palavras variam de uma região para outra pelo fato de que as línguas são usadas por pessoas diferentes e cada indivíduo usa a língua à sua maneira. No sentido de que não há dois falantes que falam do mesmo modo, e isso conduz à variação na língua", explica o professor de Linguística da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Santinho Ferreira. 

  Nesse sentido, em muitos momentos, impedem ou prejudicam a compreensão da informação repassada. “Indicando o endereço da minha casa para um amigo, disse que ficava no fim da lomba da rua. Depois de três horas percebi que ele estava perdido em uma casa que fica em frente a uma lombada. Ele entendeu lomba de lombada, quebra-mola, sendo que para mim, estava claro que lomba é ladeira. Depois disso, aprendi a fazer as traduções do dialeto e fui me adaptando ao modo de falar do capixaba”, relata o estudante gaúcho que mora em Vitória há nove anos, William Weber.

  Santinho Ferreira ressalta que a variação da língua não atrapalha na comunicação interpessoal. Pode causar desentendimentos, por uma pessoa entender algo que para outra estava certo, pela compreensão de uma mesma palavra de maneiras distintas, por exemplo. "Não pode ser considerada como uma forma errada de se expressar ou de falar. Não pode ser tratada de forma a ser uma falha, mas como uma característica do linguajar brasileiro e que muda conforte as regiões do país", afirma.

Adaptação

 A identidade linguística dos indivíduos sobrevive e evolui com o passar do tempo. Linguisticamente, o homem passa por períodos de variação, adaptação e interação. Weber conta que foi fácil a adaptação linguística no Estado. No início estranhou, mas com o tempo acostumou. Ao ouvir pessoas ao seu redor, começou a dominar várias expressões. Hoje, nada mais soa estranho para ele. Contudo, Weber explica que a expressão que mais lhe causou estranhamento foi a palavra “pocar”, mas com o tempo foi entendendo. Outra expressão foi “parada de ônibus”, que em Vitória é “ponto de ônibus”. 


Saudade

   Por estar em outra região, os migrantes sentem falta de usar expressões locais, que não seriam entendidas no lugar que agora moram. “Tenho saudade de falar: Neh, no final da frase, Bah e Tri. São pequenas interjeições que parei de falar há muito tempo. O “tri” é um aumentativo: trilegal, por exemplo, caracterizando algo que é mais do que legal”, conta Weber.



BOX

Expressões/Variações
Capixaba
Gaúcha
Nordestina

Taruíra
Largatixa
Briba

Aipim
Mandioca
macaxeira

Pão de sal
Pão francês


Pipa
Pandorga
Papagaio

Ponto de ônibus
Parada de ônibus


Sinal
Semáforo


Bah
Uai


Regiões/Expressões
Capixaba
Gaúcha
Nordestina

Taruíra –largatixa
alçar a perna – montar a cavalo
Canhenga: ser mão de vaca, mão fechada

Pocar –estourar
lindeiro – vizinho
Marocar: espiar

Mixirica –tangerina
maleva –bandido, malfeitor
Ralado: chato, sem graça

Gastura –agonia
embretar-se – meter-se em apuros
Pé de cana: cachaceiro

Pocar fora –ir embora.
olada -ocasião, oportunidade
Munganga: palhaçada



You Might Also Like

0 comentários