Perfil - Mirella Bravo

Publicado no Tendências - Jornal Laboratório da Faesa - Vitória/ES - em Abril de 2016, edição nº 97








Texto abaixo:

‘Você é responsável pelo que você cativa’

Apaixonada pela família e pela vida. Ama estudar, cozinhar, desenhar  e fotografar. Mãe, jornalista e professora, Mirella Bravo tem personalidade forte, um sorriso marcante e esbanja alegria

  O encontro poderia ser em qualquer lugar, mas a dona dos olhos verdes com raios cor de âmbar escolheu a sala de aula. "Podemos combinar em um lugar confortável", eu disse. E quer lugar mais confortável para ela do que a sala de aula? Depois da aula de sábado, 10h48, Mirella Bravo de Souza Bonella, 36 anos, me concedeu a entrevista em uma sala no Núcleo de Aplicações Tecnológicas (NAT). Impossível separar o texto que segue da admiração que sinto por ela.

  Um sorriso contagiante ao falar de tudo. Esse foi o ponto de partida: o alto astral sempre presente. Mirella acredita que por não guardar rancor está sempre de bem com a vida. É uma característica pessoal. Se acontecer uma situação desagradável, ela se aborrece, fica com raiva, mas supera logo. Deixa para lá e segue em frente. E, por isso, tem uma relação diferente com a vida. Sempre que pode lembra da frase: “Você é responsável pelo que cativa”.

  Mirella fez a prova para entrar na Faesa em julho de 1996, quando ainda estava no meio do terceiro ano do ensino médio e passou. Como nunca se imaginou em outra profissão, ingressou na Faesa ainda menina, quando o curso de Jornalismo na instituição completava um ano. Ela foi a primeira monitora de fotografia da Faesa. Depois trabalhou no jornal A tribuna apurando e redigindo matérias especiais na editoria de Cidades.


Formação acadêmica

 Graduada em Jornalismo e mestre em comunicação. É pós-graduada em “Estratégias em Comunicação Organizacional”  e tem MBA em liderança e gestão de pessoas. É uma eterna estudante e adora aprender. Mirella vive intensamente os momentos. É muito detalhista e, dificilmente, uma atividade não vai ter um detalhe interessante. Professora há 11 anos, hoje ministra aulas de comunicação organizacional, comunicação comunitária e produções especiais para impresso na Faesa, além de ser aluna de Direito na mesma Instituição.


Jornalismo

  Jornalista há 16 anos, Mirella argumenta que o jornalismo capixaba possui grandes valores, pessoas que trabalham com seriedade e são pautadas pelos critérios da profissão. A maior paixão dela no jornalismo é a prestação de serviço público responsável, pautado no interesse da sociedade, fundamental para a manutenção de qualquer sistema democrático. Entre os formatos, tem paixão pelo jornalismo impresso. Mirella teve a primeira publicação no jornal quando tinha sete anos. A avó dela enviou uma das poesias e foi publicado no jornal.

  A novidade é um fator motivacional para Mirella. O que combina muito com o jornalismo, visto que a profissão é sempre uma página em aberto. Ela gosta do escuro: da dificuldade de encontrar fontes e de desenvolver as perguntas. Incomodava Mirella receber uma pauta totalmente fechada. Gosta da adrenalina e das vivências humanas, em que é preciso entender a complexidade do caso. O jornalista é o vitorioso porque tem essa possibilidade de contar mais da história do que se vê. Escrevi “incomodava”, no passado, porque Mirella esteve por dois anos na redação e não voltou mais. Hoje sente falta das descobertas que o jornalista faz diariamente.

Fotografia

  Outro amor da jornalista, é a arte de fotografar. Gosta de tirar fotos de grávidas, crianças, das duas filhas e de animais. Mirella tem uma máquina da Nikon que está sempre preparada para registrar o momento. Quando está em um lugar, vê logo as possibilidades de foto. “Olha que luz bonita. Daria uma bela foto”, descreve Mirella.

  A vida dela é recortada por imagens. Se ela for em um sítio, tira milhares de fotos. Os personagens variam desde formigas, pintinhos, galinhas e até pimentas. Na cidade, ela observa o movimento singular de tudo para fazer uma boa foto. Durante os gestos, reparei que os brincos vermelhos tentaram chamar mais atenção que as falas, e sem sucesso, desistiram.


Aventura em Londres

  A aventura de ir para Londres nasceu de um comentário feito por uma colega. Ela disse que iria para Londres e Mirella pensou: se ela pode, por que eu não? “Na vida, vou com a cara e com a coragem, mais com a cara do que com a coragem, né?”, brinca Mirella. Queria ver o que o caminho nublado preparava para ela.

  Ela contou que não sofre com expectativas de que será ruim, sempre parte do pressuposto de que será muito interessante. Com vinte anos, pensou que se não fosse naquele momento, não iria mais. Não foi somente um desejo de viajar e abracadabra, foi realizado. Mirella teve que vender o carro para o pai dela, que havia lhe dado, para conseguir o dinheiro do intercâmbio. Confuso? Um pouco.

  Mirella ganhou um carro do pai dela, visto que trabalhava na A tribuna e saía da redação tarde da noite. Com os salários da A tribuna, ela pagou uma parte do carro, e o pai dela pagou outra. Mas ela continuava a pagar até que a dívida tivesse um fim. Só que antes do fim, a ideia de ir para Londres surgiu na cabeça dela. Então, pensou: “vou vender esse carro” Já que ele ficaria parado mesmo, venderia o carro e viajaria. Para quem ela vendeu? Para o pai. Teve que vender por um valor ainda mais caro do que comprara para poder viajar. “Ele disse que foi o pior negócio que ele fez na vida”, relata Mirella, entre risos e lembranças.

  A estadia em Londres durou cinco meses e o mais interessante foi que não tinha ninguém para lhe dizer o que era bonito e o que era feio. Como foi sozinha, observava obras de arte, construções, igrejas e ela mesma dizia o que era bonito e não o outro. Mirella descreve esse período como de auto-conhecimento e de definição de segurança. E que as decisões dela foram as únicas ouvidas. As opções que ela passou a ter foram as vivências mais significantes desse momento na vida de Mirella.

Família

  A família de Mirella ganhou uma peça fundamental quando ela casou com o repórter Mário Bonella em 2006. Anos depois, mais duas peças se encaixaram no quebra-cabeças da vida, com o nascimento de Maria, 6, e dois anos depois de Marina, 4. “Minha família é a minha grande paixão”, afirma a professora, com os olhos verdes cheios de lágrimas.

  A vida da jornalista possui uma linha de transição: a maternidade. Para a professora, a maternidade foi transformadora. Do ponto de vista dela, até ter filhos, a mulher acha que está super ocupada. Então, ela se torna mãe e vê que, até aquele momento, não fazia nada. “Era o cúmulo do egoísmo”, descreve Mirella.


  Quando a pessoa não tem filho está sempre tão auto-focada que não consegue perceber muitas das qualidades e habilidades. O filho é transformador porque Mirella sempre pensou que teria uma filha, de cabelinho preto, olhinho verde, e cortaria franjinha. Então, veio a primeira filha, Maria, que é loira e não tem nada a ver com ela (nas palavras dela). Mirella explica que Maria é a professora dela. É tímida e não quer ser o foco das atenções. Só que é linda e por isso chama bastante atenção. Maria lhe ensinou que os seres humanos não são aquilo que a gente quer que eles sejam. Já com a filha mais nova, Marina, teve que lidar com ela mesma, por ser muito parecida com ela.

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