Internetês na terceira idade

Publicado no Tendências - Jornal Laboratório da Faesa - Vitória/ES - em Junho de 2016, edição nº 99



Texto abaixo:


Internetês na Terceira Idade
É necessário se reinventar na sociedade tecnológica, seja qual for a idade. Hoje, os idosos interagem pela internet e a linguagem facilita a inclusão social dessa geração que está conectada
  No começo da era digital, era o tempo do Orkut, em que crianças e jovens estavam conectados. Depois evoluiu para o Facebook. Hoje, a mãe, a avó e a família inteira é vista conversando no Whatsapp. A linguagem é espontânea, rápida e em abreviações. E a terceira idade também está conectada, ou melhor, a melhor idade.

 A cada ano vivido, o indivíduo aprende a buscar as muitas dimensões da expansão pessoal, entendendo que as mudanças devem aumentar as oportunidades de desenvolvimento. É necessário reinventar, seja qual for a idade. A aposentadoria é a fase mais propícia para essas reinvenções. Uma vez que a revolução tecnológica tem levado as pessoas a maior participação na sociedade, mantendo-as ativas intelectualmente por mais tempo.

  O professor universitário Felipe Dallorto analisa que os idosos estão tendo que se adaptar à linguagem da tecnologia. Uma criança de cinco anos está aprendendo a utilizar as mesmas ferramentas que uma pessoa de 70 anos. E os idosos têm se adaptado a essa realidade. A aposentada Eunice Costa, 75, comenta que o curso de informática ajudou bastante na adaptação dela, pois os professores explicaram o básico de como se conectar na internet e um pouco da linguagem digital.


  Sendo assim, pertencer à sociedade contemporânea e dela fazer parte implica em estar inserido no processo de tecnologização da mesma. Os idosos que utilizam o computador sentem-se menos excluídos na sociedade que se torna cada vez mais tecnológica. Uma condição-chave da motivação dos idosos em acessar a internet relaciona-se à possibilidade de comunicação e interação, principalmente com familiares e amigos. 

 Evidencia-se o importante aspecto social do processo de inclusão digital do idoso, dado que a comunicação com familiares, amigos e a busca por informação são questões associadas à participação social na realização de atividades necessárias para a vida comum a grande parte dos sujeitos de convívio destes idosos. Eunice Costa conta que na igreja os jovens ficam olhando para ela e rindo, pois ela está no mesmo mundo que eles.

Os interesses são predominantemente de cunho social e familiar, evidenciando a internet para o idoso como um canal de aproximação com os filhos e como forma alternativa de informação e diversão. Eunice declara que está acompanhando a vida de todos os familiares, eventos e comemorações pelo Facebook, e essa é a diversão dela. Não liga mais a televisão para ver novela. Liga o computador para ver as fotos da família e amigas.


Aproximação


  Dallorto ressalta que a comunicação pela internet tem um lado positivo e negativo. Positivo por aproximar as pessoas que moram longe e negativo por distanciar as pessoas que moram perto. Distancia porque hoje está mais fácil se conectar pela internet e deixar de se encontrar pessoalmente.  O contato que tem-se com pessoas que moram distante deixa de ser pessoal. É uma relação dinamizada pela tecnologia.

Já para Eunice todos estão mais próximos pelo uso da internet. Como quando ela vê fotos e conversa com as netas que moram longe. Ela não conversava muito com os vizinhos e já pelo facebook existe uma interação maior do que um “oi” quando se encontram durante a ida ao mercado.


Linguagem

  A técnica do seguro social Eliane Costa, 60, relata que no primeiro contato com a internet estranhou a linguagem, pois achou que todos eram analfabetos. Com o tempo foi entendendo o uso. Tudo vira moda, mas até acontecer a aceitação é feio. Ela não entra na onda de escrever abreviações. Acrescenta que quem aprendeu a escrever certo, não consegue escrever errado. Vê a bagunça de abreviações, mas escreve o certo. Pode fazer isso em uma brincadeira, mas tendo noção de que a palavra não é escrita daquela forma.

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