Evolução no uso da máquina de escrever

terça-feira, junho 28, 2016



A datilografia foi ultrapassada pelo processo e surgimento da digitação pelo computador, porém o afeto conserva a máquina

Dedos indicadores a postos procurando ligeiramente cada letra que a máquina de escrever ressalta. Catando milho. Por lazer ou questão profissional, todos os pensamentos se concretizam na folha que é colocada na máquina em branco e sai datilografada. Hoje, crianças veem a máquina como uma peça de museu e a digitalização dominou o espaço, antes, exclusivo da datilografia.

A estudante Letícia Arante, 10, não teve dificuldades no processo de reconhecimento da máquina. Ela está acostumada com o mundo digital, mas rapidamente entendeu o funcionamento do aparelhou e desejou se aventurar mais. “Gostaria de aprender a usar a máquina todos os dias. É muito divertido escrever assim”, descreve.

Já a escritora Elysanna Louzada conheceu a máquina aos seis anos quando, por curiosidade, "bateu" na máquina e prendeu os dedos entre as teclas. Por isso demorou a se arriscar de novo. “Tinha uma máquina de escrever em casa porque minha mãe era professora. Então, vi por anos ela usar a máquina com bastante frequência”, explica.

A servidora pública Luíza Lorenzi conta que usou a máquina de escrever por dez anos. A primeira vez que viu a peça foi quando o tio emprestou o aparelho para a irmã dela, mas ela que se interessou pela nova aquisição. Sem ajuda, ela relata que aprendeu a datilografar sozinha. Já o primeiro contato da servidora pública Alzenita Costa da Silva foi quando o pai dela a levou em uma escola de datilografia. Ela começou o curso e depois o pai lhe deu uma máquina de presente para treinar em casa.

Luíza trabalhou como datilógrafa sendo faturista no laboratório Aché, secretária na empreiteira da Vale, no Instituto de Administração Financeira da Previdência Social (IAPAS) e, em 1991, no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) onde atua até hoje. Ela comenta que passava nos primeiros primeiros lugares dos concursos para datilógrafa porque digitava muito bem, gostava da função e era ágil.

Elysanna ressalta que pensou em fazer um curso de datilografia, que era requisito fundamental para um bom currículo até o final dos anos 80, mas desistiu porque surgiram os cursos de digitação. Ela conta também que era péssima em datilografar e usava a expressão "catar milho" para descrever o quão devagar o dedo batia nas teclas. Alzenita relata que sentiu um grande impacto na velocidade do uso da máquina em comparação com o escrever manual. Conta que houve uma facillidade na produção de conteúdo.

Luíza explica que não se usa tinta na máquina, mas uma fita de duas cores: vermelha e preta. A vermelha serve para destacar e a preta para uso normal. Ela afirma que na época, a máquina não dava defeito fácil, porém, tinha problemas quando a fita acabava no meio de um texto e tinha que parar o trabalho para rebobiná-la. “Existiam fitas que apagavam erros no texto, mas não funcionavam direito. A palavra ficava feia, com aspecto borrado, por isso era preciso escrever direto. Sem errar”, comenta.

Luíza acrescenta que em todo final de linha era preciso parar antes de terminar de datilografar, senão a sílaba ficava cortada. Era preciso calcular até onde se conseguia dividir a linha. Além disso, datilografar provocava calos nos dedos e não podia ter unha comprida porque atrapalhava. Não só as teclas faziam barulho quando pressionadas, como o carrinho da máquina também. Mesmo com os contras, ela comenta que amava datilografar.

Luíza avalia que se adaptou rápido na mudança de datilografar para digitar no computador e sentiu a sensação de que saíra da idade pré- histórica e dera um salto para a modernidade. Porque a produção do texto ficou mais ágil e o trabalho mais rápido. “Não preciso rebobinar as fitas e parar os textos ao final de cada linha. Os calos nos dedos, o barulho das teclas e do carrinho da máquina sumiram. Os dedos deslizam no teclado agora. Senti uma fluidez no texto”, completa.

Alzenita relata que utilizou a máquina de escrever por cinco anos e possui a máquina desde 1981. O cuidado necessário para que a máquina de escrever durasse por 35 anos foi o afeto. “Só o carinho conserva a peça. A máquina de escrever simboliza tudo em minha vida”, afirma. Uma vez que o primeiro e único emprego foi conquistado pela função de datilógrafa, tem orgulho de manter o costume até hoje. Já para Luíza a máquina de escrever representou a descoberta de um novo mundo.

História

As primeiras máquinas de escrever foram produzidas por fabricantes de armas. O modelo original vendeu menos de cinco mil unidades. Porém, introduziu a era das máquinas nos escritórios. Em uma época que todos estavam fascinados por máquinas, principalmente as que tornavam o dia a dia menos entediante.

Em 1858, havia a necessidade de que inventores transformassem objetos comuns em algo extraordinário pela simples combinação de dois objetos. Esse foi o caso de demonstração da primeira máquina de escrever que teve como ideia base o telégrafo.

Por não ter paciência para divulgar o novo produto, o inventor Sholes vendeu os direitos da máquina para Desmore, que convenceu um produtor de armas a comercializar o produto. Em 1878, uma segunda versão foi apresentada com diversas mudanças. A partir dessa criação o ato de escrever e publicar nunca seria o mesmo.


Galeria de fotos:


Máquina de escrever

You Might Also Like

0 comentários